segunda-feira, 31 de março de 2008

A Conferência da Terra - Fórum Internacional do Meio Ambiente

- Acontece no Nordeste -
A Assembléia das Nações Unidas elegeu 2008, como o Ano Internacional do Planeta Terra, com a finalidade de promover e incentivar o desenvolvimento de programas sustentáveis e manutenção da vida. Visando ampliar as discussões sobre os temas globais e as implicações locais, a Universidade Federal da Paraíba - UFPB, está realizando o Fórum Internacional do Meio Ambiente - A Conferência da Terra, na cidade de João Pessoa - PB, Brasil, no período de 21 a 24 de maio de 2008. A Conferência da Terra reunirá cientistas renomados, cujos trabalhos apontam as alternativas para o futuro comum com melhor qualidade ambiental. O evento tem o apoio de outras instituições de pesquisa, como a Universidade Federal de Pernambuco - UFPE, Universidade Federal do Ceará - UFC, Universidade Federal da Bahia - UFBA, e Universidade Estadual de São Paulo - UNESP. O público esperado é de 1.000 participantes, entre pesquisadores, professores e estudantes de graduação e de pós-graduação.
O tema geral da Conferência da Terra - as questões ambientais globais e soluções locais - irá proporcionar melhor compreensão dos fenômenos naturais, antrópicos e sociais, sugerindo alternativas limpas para reduzir seus efeitos nas sociedades humanas e ecossistemas naturais. As atividades programadas incluem conferências, palestras, debates, grupos de trabalhos, relatos de experiências científicas e mini-cursos. O aquecimento do sistema climático é inequívoco e evidenciado através da constatação das mudanças de temperatura na atmosfera e massas oceânicas, derretimento das calotas polares, desaparecimento das geleiras no alto das montanhas e aumento do nível do mar. Os ambientes urbanos tornam-se insuportáveis para a vida humana, sobretudo em função do modelo econômico consumista. São agravantes para o ambiente urbano, os congestionamentos de veículos, a poluição do ar, excesso de edifícios, expansão das áreas periféricas e o nível elevado de ruídos.
No mundo atual está havendo incremento na mudança dos ventos e das correntes marítimas, salinização das águas continentais, chuvas abundantes e furacões em determinadas áreas, enquanto noutras observa-se o agravamento das secas e da desertificação. Extensas áreas agrícolas estão sendo comprometidas pelo mau uso do solo, desperdício de água e uso indiscriminado de defensivos químicos. Com o objetivo de mudar a conduta das sociedades humanas e os padrões de consumo, cientistas de vários países apontam soluções, permitindo às nações criar as condições necessárias para intervenções adequadas, impondo limites à emissões dos países industrializados, incentivos à limitação no países em desenvolvimento e apoio à geração de energia limpa.
As mais respeitadas instituições científicas asseguram que estão acontecendo alterações ambientais no Planeta com graves conseqüências para a manutenção da vida. Programas de monitoramento e controle ambiental têm revertido o processo de degradação de alguns ecossistemas. O somatório e ampliação dessas medidas, a partir de expressiva mobilização social e esforço conjunto das nações, poderá impedir o esgotamento dos recursos naturais, essenciais à permanência da vida na Terra.
O Brasil, por sua diversidade natural e socioeconômica, constitui um cenário ideal para a reflexão das questões ambientais globais e apresentação das alternativas na solução dos problemas locais. No Estado da Paraíba os efeitos das alterações ambientais globais são evidenciadas, numa realidade constatada através dos elevados índices de acompanhamentos da natureza (ou naturais), desertificação e o avanço regular das águas oceânicas sobre a zona costeira.

A primeira cidade sustentável do mundo

O governo de Adu Dhabi anunciou a primeira cidade sustentável do mundo. Com capacidade para 50 mil habitantes, 1.500 estabelecimentos comerciais, e construída em uma área de 6 quilômetros quadrados, a cidade de Masdar será livre de emissões de carbono e desperdício. A cidade terá transporte livre de carros de forma que nenhum habitante precisará andar mais do que 200 metros. Os primeiros moradores poderão se mudar para Masdar em 2009. O projeto conta com a participação de uma empresa de tecnologia em energia verde, a Masdar Initiatives, e de arquitetos britânicos da Foster and Partners. (BBC Brasil)

terça-feira, 25 de março de 2008

Esboços de uma sociedade planetária sustentável

Por Fritjof Capra, físico e teórico de sistemas e Ernest Callenbach, ambientalista

(...) Como seria, verdadeiramente, uma sociedade sustentável? Ainda não há modelos detalhados, mas na última década surgiram critérios básicos que nos permitem desenhar a forma emergente das sociedades sustentáveis. A sustentabilidade global requer uma drástica diminuição do crescimento mundial. As sociedades sustentáveis terão populações estáveis, como as que têm hoje em dia 13 países europeus e o Japão. A população mundial deverá se estabilizar no máximo em oito bilhões de pessoas. As economias sustentáveis não serão movidas por combustíveis fósseis, mas sim por energia solar e suas muitas formas diretas e indiretas: luz solar para aquecimento e eletricidade fotovoltaica, energia eólica, hídrica e assim por diante. (...)
Nas indústrias sustentáveis, a reciclagem será a principal fonte de matéria prima. O design de produtos se concentrará na durabilidade e no uso reiterado, em vez da vida curta e descartável dos produtos. O desejável será uma mentalidade baseada na ética da reciclagem. As empresas de reciclagem ocuparão o lugar das atuais companhias de limpeza urbana e disposição final do lixo, reduzindo a quantidade de resíduos em pelo menos em dois terços. Uma sociedade sustentável necessitará de uma base biológica restaurada e estabilizada. O uso da terra seguirá os princípios básicos da estabilidade biológica: a retenção de nutrientes, o equilíbrio de carbono, a proteção do solo, a conservação da água e a preservação da diversidade de espécies. É provável que as áreas rurais tenham maior diversidade do que atualmente com o manejo equilibrado da terra, em que haverá rotatividade de plantações e de cultivo de espécies. As empresas que produzirem alimentos e energia serão mais populares. (...)
A característica decisiva de uma economia sustentável será a rejeição da cega busca de crescimento. O produto interno bruto será reconhecido como um indicador falido. No lugar do PIB, as mudanças econômicas e sociais, tanto quanto as tecnológicas, serão medidas por sua contribuição à sustentabilidade. Em um mundo sustentável, os orçamentos militares serão uma pequena fração do que são hoje. Em vez de manter caras e poluidoras instituições de defesa, os governos poderão investir em uma fortalecida Organização das Nações Unidas para a manutenção da paz.
Fonte: http://www.redeambiente.org.br/_noticias/view1.asp?id=304

Relatório do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU traz firme advertência contra a mudança climática

A menos que a comunidade internacional decida cortar as emissões de carbono pela metade na próxima geração, as mudanças no clima serão muito provavelmente responsáveis por enormes prejuízos econômicos e humanos, além de catástrofes ecológicas irreversíveis, afirmou um relatório da ONU na terça-feira.
O Relatório de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU) é uma das advertências mais contundentes já feitas sobre o impacto das mudanças climáticas no padrão de vida das pessoas, e serve de apelo para providências coletivas urgentes."Podemos estar prestes a observar um retrocesso no desenvolvimento humano pela primeira vez em 30 anos", disse à Reuters Kevin Watkins, principal autor do documento.
O relatório, apresentado em Brasília na terça-feira (27/11), estabelece metas e um guia de ação para reduzir as emissões de carbono, e serve de preparativo para a cúpula sobre o clima que a ONU realiza no mês que vem em Bali, na Indonésia.
As emissões de dióxido de carbono e de outros gases na atmosfera colaboram para que o calor fique aprisionado perto da superfície, como numa estufa, o que leva ao aquecimento global."
A mensagem para Bali é que o mundo não pode esperar, que tem menos de uma década para mudar de rumo", disse Watkins, que também é pesquisador da Universidade de Oxford.
O surgimento de mudanças climáticas perigosas para o ser humano será inevitável se nos próximos 15 anos as emissões seguirem as tendências dos últimos 15 anos, afirmou o documento.
Para evitar um impacto catastrófico, a elevação na temperatura média global tem de ficar limitada a 2 graus Celsius. Mas as emissões de carbono, provenientes de carros, usinas de energia e do desmatamento no Brasil, Indonésia e em outros lugares, hoje estão num nível que é o dobro do necessário para cumprir a meta, segundo os autores da ONU.
A mudança no clima pode condenar milhões de pessoas à pobreza, disse o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Desastres provocados pelo clima afetaram 262 milhões de pessoas entre 2000 e 2004, sendo que 98 por cento delas estavam no mundo em desenvolvimento.
E, segundo o texto, o impacto desses desastres na vida dos mais pobres não é momentâneo, mas sim se prolonga por toda uma geração, o que cria um ciclo vicioso de reprodução da miséria.
Uma elevação da temperatura média do planeta entre 3 e 4 graus Celsius desalojaria 340 milhões de pessoas devido à ocorrência de inundações, de secas que reduziriam a produção agrícola e do recuo dos glaciares, que diminuiria o fornecimento de água para até 1,8 bilhão de pessoas, afirmou o levantamento.
No Quênia, crianças de menos de 5 anos têm 50 por cento mais risco de ser desnutridas se nascem num ano de seca, o que afeta sua saúde e sua produtividade pelo resto da vida.
Os países possuem recursos técnicos e financeiros para agir, mas falta vontade política, afirmou o relatório. O documento ressaltou os Estados Unidos e a Austrália, as duas únicas potências econômicas ocidentais que não assinaram o Protocolo de Kyoto, acordo do qual participam 172 países na tentativa de cortar as emissões de carbono, e que expira em 2012.
A Etiópia emite 0,1 tonelada de dióxido de carbono per capita, enquanto o Canadá, por exemplo, emite 20 toneladas. As emissões per capita dos Estados Unidos são mais de 15 vezes maiores que as da Índia.
PLANO DE AÇÃO
O mundo precisa investir 1,6 por cento da produção econômica global por ano, até 2030, para estabilizar o estoque de carbono e atingir a meta de não elevar a temperatura mais que 2 graus Celsius. Os países ricos, os maiores emissores de carbono, precisam assumir a liderança e cortar pelo menos 30 por cento até 2020 e 80 por cento até 2050. Os países em desenvolvimento têm de cortar as emissões em 20 por cento até 2050, disse o Pnud."Quando os moradores de uma cidade norte-americana ligam o ar-condicionado ou os europeus usam seus carros, suas atitudes têm consequências (...) que os ligam a comunidades rurais de Bangladesh, a agricultores da Etiópia e a favelados do Haiti", disse o relatório.
O Pnud recomendou uma série de medidas, entre elas a melhora na eficiência em termos do consumo de energia de aparelhos e carros, a imposição de limites às emissões e a possibilidade de negociar permissões de emissão.
O órgão afirmou que a tecnologia experimental para armazenar de forma subterrânea as emissões de carbono é promissora para a indústria do carvão, e sugeriu a transferência de tecnologia para países em desenvolvimento que dependem do carvão, como a China.
Um fundo internacional teria que investir entre 25 bilhões e 50 bilhões de dólares ao ano em países em desenvolvimento para aumentar o uso de fontes de energia de baixa emissão.
Questionado se o relatório é alarmista, Watkins disse que ele se baseia na ciência e em evidências: "Desafio qualquer pessoa a falar com vítimas de secas, como fizemos, e pôr em dúvida nossas conclusões sobre o impacto de longo prazo dos desastres climáticos."
REUTERS MPP
Veja também:
Fonte: Estadão Online, 27/11/2007
por Raymond Colitt, da Reuters

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Óleo usado vira biodiesel

( 06/10/2007 )
Após servir para fritar alimentos, óleo é transformado em combustível na Ulbra. Depois de três anos de pesquisa em desenvolvimento de tecnologia para reciclar e "limpar" o óleo usado em fritura de alimentos, e mais um ano de estudos para o seu reaproveitamento em biodiesel, professores e alunos do curso de Química do campus de Canoas da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), agora, já produzem, mesmo que ainda em escala de laboratório, o combustível. E além da obtenção do biodiesel de qualidade, eles têm a consciência de que podem contribuir muito para evitar o passivo ambiental. "Temos a tecnologia para a produção de biodiesel a partir do óleo usado para fritura de alimentos. Desenvolvemos essa tecnologia em nossos laboratórios e conquistamos um biodiesel padrão, além de, com isso, contribuir decisivamente para evitar o passivo ambiental desse óleo usado", disse a coordenadora do curso, Dione Silva Corrêa. No início das pesquisas para a reciclagem do óleo usado em fritura de alimentos, a intenção era o seu reaproveitamento na obtenção de resinas para a indústria de tintas. "Conseguimos esse reaproveitamento. Aí surgiu no mercado o biodiesel, com incentivos públicos para a sua produção e sua forte introdução na matriz energética brasileira. Resolvemos, então, partir para este reaproveitamento e também conseguimos", disse a coordenadora do curso. Ela trabalhou junto com os professores Carlos Rodolfo Wolf e Marcelo Gosmann e dos então alunos Masurquede de Azevedo Coimbra e Maurício Schmidt. A Tecpon Indústria e Comércio de Produtos Químicos Ltda, de Cachoeirinha, empresa que tem experimentado outras parcerias com a universidade, pesquisou em cerca de 300 restaurantes de vários municípios da Região Metropolitana e constatou, somente neste universo, um potencial de cerca de 12 mil litros mensais de óleo usado em fritura de alimentos. "Em média, para cada litro de óleo reciclado temos um reaproveitamento de 80% em biodiesel. Os outros 20% podem ser reaproveitados em forma de glicerinas, sobre as quais também estamos trabalhando para o seu aproveitamento como cicatrizantes de feridas em corpos humanos. Esse projeto está sendo desenvolvido, já há dois anos, exclusivamente para a Tecpon". Trabalhar com a reciclagem de óleo usado na fritura de alimentos exige procedimentos químicos variados pois, normalmente, esses óleos são distintos uns dos outros pela quantidade de vezes que foram usados nas cozinhas dos restaurantes, pelas temperaturas a que foram submetidos e até mesmo pelas suas origens. "Tudo precisa ser analisado e todas as variáveis consideradas nesta análise. O fundamental é chegar ao fim do processo de reciclagem com um óleo limpo e pronto para seu reaproveitamento, seja lá para o que for, inclusive para o biodiesel", lembrou Dione.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Plástico biodegradável

Pesquisadoras brasileiras conseguem produzir plástico que se degrada em apenas 45 dias
Mônica Pinto / AmbienteBrasilApesar dos esforços no campo da reciclagem, as garrafas PET continuam se constituindo em um problema ambiental sério. A boa notícia é que pesquisadoras do sul do Brasil conseguiram produzir um plástico a partir das garrafas PET que se degrada em apenas 45 dias. O trabalho foi conduzido pela acadêmica Delne Domingos da Silva, no sexto semestre de Engenharia Ambiental da Univille (SC), tendo como orientadora Ana Paula Pezzin e, como co-orientadora, Andréa Schneider, ambas também vinculadas a mesma instituição de ensino. Porém, o projeto está ligado a mais duas universidades: PUC/RS e Universidade Pierre et Marie Curie, na França. “Basicamente, a PUC/RS, coordenada pela doutora Sandra Einloft com auxílio da Universidade Francesa fazem a reciclagem química do PET pós-consumo e a Univille/SC, coordenada pela doutora Ana Paula Pezzin, estuda a degradação em solo destes copolímeros”, explicou Delne a AmbienteBrasil. Os experimentos, por enquanto, transcorrem em âmbito laboratorial, porém os bons resultados já indicam diversas aplicações para o produto em grande escala, dependendo de suas propriedades, que variam com o teor de PET e com o poliéster alifático utilizado na síntese. Dentre elas, a pesquisadora cita embalagens para mudas, cabos de escovas de dente, cartões telefônicos, enfim aplicações em produtos de rápida descartabilidade. “A indústria já manifestou interesse, mas pretendemos manter sigilo”, diz Delne. No trabalho, em algumas composições, a biodegradação em solo iniciou-se em um período de 45 dias para copolímeros de PET- co-PTS - poli(tereftalato de etileno)-co-poli(sebacato de trimetileno) - e de sete meses para copolímeros de PET-co-PEA - poli(tereftalato de etileno)-co-poli(adipato de etileno). Os copolímeros de PET-co-PES - poli(tereftalato de etileno)-co-poli(succinato de etileno) - ainda estão enterrados, já apresentando sinais de início de degradação após 8 meses em solo. Segundo Delne, a produção mundial anual de polímeros é de aproximadamente 200 milhões de toneladas. “Sabe-se que muitos destes polímeros apresentam uma alta estabilidade e podem levar de 100 a 500 anos para sofrer biodegradação”, lembra, comentando que, a partir dos anos 90, uma grande preocupação com os problemas ambientais causados pelo acúmulo destes materiais no meio ambiente vem impulsionando a pesquisa em torno deles. “A utilização de técnicas combinadas de incineração, reciclagem (química e mecânica) e o uso de polímeros biodegradáveis indicam maneiras de auxiliar na resolução deste problema”, completa.

Água, evitando o desperdíco

EXCLUSIVO: Mais um invento brasileiro contribui para poupar os recursos naturais
Neide Campos / AmbienteBrasil
A água representa 75% do planeta Terra. Desse volume, apenas 2,5% é potável, ou seja, própria para consumo. E a grande maioria dessa pequena porcentagem não está acessível. Por isso a economia de água é imprescindível.O desperdício de água no Brasil é patente. Carros e calçadas que continuam lavados com mangueira são apenas um (mau) exemplo disso. Para se ter uma idéia, uma dona de casa, ao lavar a louça do almoço, pode gastar, em 15 minutos, 243 litros de água potável. Se deixar a torneira aberta por cinco minutos, ao escovar os dentes, a pessoa pode mandar pelo ralo doze litros de água tratada. Seis litros são desperdiçados em cada descarga de vaso sanitário – isso nas mais modernas.Ao menos nesse último quesito, a tecnologia chegou para diminuir o consumo. Um novo sistema, recém patenteado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), promete economizar as água das descargas em três litros. Batizado de Sistema Daltony Ecologicamente Correto, o invento é montado com uma caneca, um contrapeso e um par de ímãs. Os ímãs se atraem mantendo a caneca no lugar garantindo assim o selo hídrico. No momento da descarga, a água liberada vence a força dos ímãs que liberam a caneca num ângulo de 90º, permitindo assim que os dejetos sejam despejados diretamente dentro da tubulação do esgoto. “A caneca esvazia-se, fica mais leve que o contra peso que a traz de volta ao ponto de partida e o par de ímãs de novo se atrai, mantendo-a no lugar até a próxima descarga”, explicou a AmbienteBrasil Dalmo José Peres, inventor do sistema. Dalmo, que é empresário do ramo de alimentos, conta que teve a idéia em 2002, ao ler uma reportagem sobre a dificuldade que a indústria mundial de louça sanitária estava enfrentando para produzir vasos sanitários com menor consumo de água. “Estava em um restaurante e caminhei até o meu banheiro para observar o vaso e conclui in loco, olhando o poço, que havia como despejar os dejetos diretamente na tubulação do esgoto com muito menos esforço que o sifão e assim economizar água de verdade. Fiz e deu certo”. A inovação substitui apenas o sifão da bacia sanitária. Todo o resto é igual, o que facilita a adesão por parte dos consumidores. A eficiência do sistema foi comprovada por laudo do Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul (SP). Segundo Dalmo, pelo monopólio da indústria de louça sanitária no Brasil, ele não conseguiu nenhuma parceria, portanto ele mesmo pretende comercializar o produto a partir de março. Várias empresas, inclusive multinacionais, estariam interessadas na substituição das descargas e bacias convencionais. O consumidor residencial também poderá adquirir o vaso sanitário já com o sistema. “A diferença de preços não é nada absurda e se paga rapidamente com a redução no consumo da água e, em conseqüência, no valor da conta”, explica Dalmo.