domingo, 27 de abril de 2008

Capital social e desenvolvimento

Por Cristine Carvalho

Apesar de ser um conceito complexo, podemos apreender o aspecto essencial do desenvolvimento, como apontou Amartya Sem, economista indiano, colaborador na construção do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e Prêmio Nobel de economia em 1998: “o desenvolvimento seria a ampliação da capacidade de realizar atividades livremente escolhidas e valorizadas” (KAAS, 2005). Porém, tal ampliação não se dá automaticamente com o crescimento econômico, sem primeiro rever-se “como” se está crescendo.
Levando-se em consideração que o capital social assume diversas formas em razão do contexto e das características dos indivíduos que o constituem, ele tem diversas identidades. Tendo seu próprio espaço e tempo de ação, os recursos captados e transformados em capital social têm seu ritmo de desenvolvimento particular. Diferentes meios, diferentes pessoas e diferentes realidades quando observadas de outra sociedade.
Em tempos atuais, é fundamental compreender que cada grupo ou comunidade tem seu ritmo e é incabível julgar certezas de bem-estar social quando estes recursos e valores devem ser relativizados. Não há valores numéricos que indiquem que uma dada sociedade é bem-sucedida. As variáveis econômicas não bastam para produzir desenvolvimento socialmente equilibrado e ambientalmente sustentável.
Assim, os fundamentos e as práticas freqüentemente contraditórias do desenvolvimento econômico vêm sendo veementemente criticadas e os temas sociais e institucionais vem ganhando boa aceitação no mainstream da economia, tornando-se então uma coisa só e reformulando o conceito de desenvolvimento.
OLSON (1982 apud MONASTERIO, 2000) faz uma interessante analogia em relação aos estudos econômicos que procuram contabilizar o crescimento: “Eles não traçam as fontes do crescimento em suas causas fundamentais; traçam a água do rio aos córregos e lagos de onde vem, mas eles não explicam a chuva”.
Ineficiente ao identificar valores relativos ao conteúdo das sociedades, seus recursos e seus trejeitos estão as teorias do evolucionismo social. Gilbert Rist é um dos principais críticos aos projetos de desenvolvimento sob esta “crença ocidental”. Neste modelo comparativo os países sub-desenvolvidos deveriam atingir o patamar dos países desenvolvidos, e existem etapas a cumprir de forma contínua e cumulativa. Rist rejeita a possibilidade de que, em matéria de desenvolvimento, seria possível antecipar de modo determinista os passos futuros a serem seguidos pelas economias do Sul e, além do mais, definir as ferramentas para atingir determinados objetivos de maneira universal e independente de contextos e lógicas locais (Rist, 1999 apud Milani, 2005).
Como o modelo evolucionista que distingue as raças humanas, dentro dos estudos antropológicos do século XVIII, a construção de uma verdade absoluta em torno da história do homem, feita por determinados grupos de homens que se auto-determinam “evoluídos”, ainda estão arraigadas na memória do homem ocidental e são apresentadas na forma de extremismos, exclusão e violência.
Os ditos parâmetros de crescimento e inovação podem abranger uma minoria ou assistir milhares de pessoas no mundo todo – com técnicas, marcas e até mesmo estilos de vida. São recursos promovidos e que trazem, quando adequadas às realidades locais ou pessoais, determinado capital social.
Em diversos sentidos, o capital social se aproxima mais do capital humano do que do capital físico. Ele também é intangível, mas sua quantificação é mais complexa do que o capital humano, já que é observada nas relações entre os indivíduos (COLEMAN, 1988; REQUIER-DESJARDINS, 2000 apud MONASTERIO, 2000).
Outros autores e intelectuais como Wolfgang Sachs, Serge Latouche, Ivan Illich e Arundathy Roy afirmaram ser fundamental analisar e requalificar criticamente os processos de transformação social vistos sob a etiqueta do desenvolvimento. Estes autores, por mais que não tivessem apresentado um novo conceito e prática do desenvolvimento a partir do capital social que substituísse o anterior, denunciaram as práticas incoerentes do desenvolvimento econômico e seus resultados nocivos, sobretudo nos contextos onde as desigualdades e as carências de infra e superestrutura são muito evidentes.
Outro importante impacto da corrida pelo desenvolvimento econômico que atropela valores sociais acontece nas relações entre os indivíduos em sociedade. Estando as associações de interesses comuns diminuindo sua prática, é visto que, com o distanciamento entre seus componentes, a competição vem tomando o lugar da confiança. Isto ocorre principalmente nas sociedades de ideal democrático e com este histórico, como o caso dos EUA, onde foi produzido “Democracia na América” de Tocqueville e “Bowling Alone” de Putnam.
Assim como na pesquisa de Putnam, diversos estudos estão sendo produzidos a partir da observação deste crescente individualismo nas sociedades. Como Putnam em “Bowling alone”, o sociólogo polonês Zygmunt Bawman observa, em Modernidade Líquida, com seu olhar “romântico”, o esfacelamento dos laços de amizade e cooperação até então fundamentais para o desenvolvimento social.
Acrescenta ainda que, nas sociedades por ele denominadas pós-modernas inseridas grandes cidades-centros comerciais, a liquidez e a efemeridade na absorção das informações e na construção das imagens são características marcantes. Estando dispostas a um grande e variado número de recursos, as possibilidades e oportunidades se alargam tornando a experiência cotidiana uma entrada e saída de informações e escolhas. Em alta velocidade e pretendendo entrar em contato com o máximo de conhecimento possível, os indivíduos se isolam e criam novos mecanismos de sociabilizar-se.
A comunicação, portanto, vem adquirindo novos meios de conexão e transmissão das suas mensagens, seus conteúdos também se adequam aos novos interesses de seus receptores. Na comunicação e na viabilização de conhecimento é necessário atentar para as constantes tendências - do capital social.
Em relação às estimativas de queda dos números de associações, feita por Putnam, verifico que as características de muitas associações mudaram – talvez tenham deixado de ser de bairro, de esportes de grupo presencial ou de jantares com amigos. As redes sociais caracterizam-se por serem traçadas também pela internet, por celulares, em restaurantes e em ambientes públicos. Talvez tenha deixado de ser tão privativa a famílias e grupos específicos e tenha se colocado em disposição mais alargada, com maior incidência de novidades e referências. Afinal de contas o que se ganhou com a confiança e a cooperação pode também ter sido a tolerância com a diversidade.
As características individualistas também agregam valores e são potencialmente capazes de gerar desenvolvimento social. Mudança social é mudança nos componentes e nas relações entre os componentes do conjunto que constitui a sociedade. Usando metaforicamente a linguagem econômica, poderíamos dizer que haverá mudanças sociais quando houver alterações do capital humano e do capital social.

Capital Social, Tendências e Construções

por Cristine de Carvalho
A partir dos anos 90, o Banco Mundial passou a distinguir, na avaliação de projetos de desenvolvimento, as quatro formas de riqueza das nações. Dentro das estatísticas do ano de 1998, para o Banco, 16% da riqueza mundial advém de fatores físicos e financeiros, isto é, do mercado de capitais (estradas, fábricas, e o sistema produtivo em geral); Ocupando cerca de 20% está o chamado Nature Lendal, e refere-se a fatores naturais (território, espaço, localização geoestratégica, história, tradição, etc.); e finalmente, 64% corresponde àquilo que o Banco Mundial chamou de Capital humano e social.
O Capital humano é definido pelos graus de saúde, educação e nutrição de um povo; ele pode ser mensurado através de Indicadores, como o IDH, onde são avaliadas as condições e tendências em relação à metas e objetivos, dentro de temas como mortalidade infantil, expectativa de vida, analfabetismo, etc.
No entanto, para alguns autores, como MacGillivray (1997), uma vez que os pré-requisitos para o desenvolvimento humano sejam atendidos (capital humano), as pessoas devem utilizar esse potencial para exercer uma vida plena de significados dentro da sociedade. O autor afirma que a participação dentro da sociedade é mais do que a inexistência de obstáculos (capital humano) para se alcançar alguns objetivos. Existem, segundo ele, meios de se definir o desenvolvimento social não-individual. O principal meio é como continua o autor, o capital social.

Concepções de Capital Social

Na corrente da mudança de perspectiva do conceito de "comunidade" para "redes sociais", vários autores das ciências sociais passaram a investigar, desde os anos de 1990, o conceito empírico de capital social (Burt, 2005; Lin, 2005; Narayan, 1999; Portes, 1998; Grootaert, 1997; Fukuyama, 1996; Putnam, 1993; Coleman, 1990).
James Coleman (1990) aplica o conceito na área da educação e analisa seu papel no crescimento do capital humano, em uma abordagem baseada na escolha racional. Para este autor, capital social é um recurso que representa a habilidade das pessoas de trabalharem juntas para um fim comum em grupos ou dentro das organizações.
O autor aponta, com dados estatísticos sobre a sociedade norte-americana, a importância do capital social para a obtenção de capacidades e qualificações que elevam a produtividade do trabalho humano.
Putnam (1994)[1] descreve o capital social como uma característica da organização social, como as redes, onde as normas facilitam a coordenação e cooperação em benefício mútuo. Tais associações fornecem a base de cooperação dentro da sociedade e o capital social pode ser descrito como a participação do processo decisório ou integração social.
O capital individual é um estoque de competências, qualidades e aptidões enquanto que o capital social, um estoque de relações e valores. Segundo Putnam, as normas de reciprocidade (ajuda mútua) estabelecidas na relação entre os indivíduos é o que caracteriza o capital social de uma sociedade. Graças ao motivo que aproxima as pessoas, interesses em comum ou não: “bonding” – interesses similares e “bridging”, interesses diversos.
Para este autor, dentro os benefícios das sociedades com alto capital social estão: a diminuição dos crimes em lugares onde as pessoas conhecem seus vizinhos; a melhora do desempenho de estudantes quando os pais estão mais envolvidos nas relações comunitárias; melhor trabalho do governo quando as pessoas estão envolvidas na vida cívica; e o aumento da realização econômica quando do aumento da confiança.
Putnam afirma que a tradução da mentalidade do “eu” para o “nós” advém de redes sociais marcadas pela confiança, normas e sistemas de larga solidariedade, criadas a partir das contínuas interações entre os indivíduos. Assim, os sistemas de participação cívica são a forma essencial de capital social, e quanto mais desenvolvidos forem esses sistemas numa comunidade, maior será a probabilidade de que seus cidadãos sejam capazes de cooperar em benefício coletivo.
Um ambiente de confiança plena conta com um importante recurso a ser aplicado na solução de muitos problemas e por isso permite a ampliação das possibilidades, estimulando inovações. Tais recursos estão relacionados tanto à cultura familiar quando à esfera política e econômica.
Para Putnam, as redes de relações propiciam o fluxo e o intercâmbio de informações (compartilhamento) reproduzindo espaços de comunicação. Na interação dentro destes espaços, as associações engendram hábitos cívicos, confiança e um espírito cooperativo, o que vem a contribuir com o desenvolvimento, tanto social como econômico. Esta é, segundo o autor, uma função chave para sistemas ricos em capital social.
Os resultados de testes empíricos cross-section sugerem que os países com maior intensidade de capital social (redes e associações) teriam maior taxa de acumulação de capital físico – bens materiais ou de valor quantitativamente avaliável e comparável.
Finalmente, o capital individual pode ser visto como atributo particular ao agente social, mas a rede de conexões entre estes indivíduos e suas qualidades é um ativo que gera benefícios principalmente para os mesmos. O ambiente de rede torna a experiência cotidiana plena (até mesmo direcionada, normatizada, ordenada) o que é socialmente favorável pelos recursos dados ao seu potencial de sustentabilidade (desenvolvimento social sustentável).
Em pesquisas recentes (2001), Putnam identifica uma grande queda nas taxas de capital social nos EUA nos últimos 25 anos: 58% na participação de clubes e outras organizações civis; 33% em jantares familiares; 33% em presença nas igrejas; 45% em amizades por algum fim; e 35% no envolvimento na vida comunitária (encontros públicos).
Ultrapassando a definição de capital social enquanto qualidade das redes sociais e das relações entre os indivíduos, Dominique Meda considera a sociedade, a nação, e o país como um todo, um coletivo que também possui um bem próprio. O capital social é chamado por Meda de “estado social da nação” (etat social de la nation). A sociedade disporia, segundo a autora, de um certo número de bens e recursos, de uma certa quantidade de capitais, cuja progressão, melhora, acumulação e qualidade também podem ser medidas (Meda, 2002 apud Milani, 2005).
Seu uso tende a aumentar seu estoque por meio de ações que incentivam sua criação e reprodução (redes, comunicação, apoio e cooperação). Diminui, porém, na medida em que florescem atitudes e comportamentos relacionados com a intolerância, a discriminação e o desrespeito pelos direitos da pessoa humana, bem como restrições à liberdade de expressão e organização políticas, a diminuição dos espaços públicos de deliberação democrática e a falta de reconhecimento dos direitos de grupos minoritários ou excluídos.
Molyneux (2002, apud Milani, 2005), vê ainda que o capital social pode ser entendido enquanto propriedade de uma sociedade (civicness), propriedade de uma comunidade ou um recurso operacionalizado por indivíduos a fim de maximizar suas capacidades e atingir seus objetivos. É propriedade da sociedade como um todo porque, além de ser um fator central na equação do desenvolvimento e fundamental para a vida econômica, seu valor social ultrapassa sua utilidade econômica.
Não me detendo aos aspectos da contabilidade empresarial, mas ainda tendo como recurso inerente à vida social, o capital social é, segundo Márcio Schiavo, a moeda de troca entre os membros da rede social. Ao assistirmos a crise de cidadania atual, ou da cooperação e do sentimento de pertencimento à uma classe ou um país, e associarmos que as soluções para esta crise está na administração do capital social, se chega a conclusão de que é necessário que o déficit seja pago com este mesmo capital social, desenvolvido.
O déficit de cidadania é segundo Schiavo, pago através do restabelecimento dos vínculos sociais, do fluxo de capital social ativo e da então diminuição das probabilidades de exclusão. O poder público é, dentro desta perspectiva, a rede de valores sociais, e envolve a participação e a cooperação do conjunto de indivíduos, assim como colocado por Putnam.
Ainda é importante enfatizar que o capital social não substitui a efetiva política publica. Segundo Putnam “é um requisito para ela; o capital social trabalha entre e com os estados e os mercados e não no lugar deles. Também não o é nem um argumento para determinismos culturais nem um motivo para culpar a vítima... uma sabia política sabe encorajar a formação do capital social, e o próprio capital social aumenta a eficácia da ação de governo”[2].
O déficit social e a decorrente pobreza não são problemas unicamente econômicos, pela falta de crescimento, ou tão pouco é um problema da falta de oferta eficiente e suficiente de serviços estatais.
Não menos importante do que os impactos do capital físico, o capital social cria condições para que o indivíduo em sua totalidade e a sociedade como unidade, baseados em relações de confiança, gerem uma economia socialmente produtiva.
Ainda que responda às inclinações individuais, o capital social não deixa de ser um bem público constituído na necessidade de reciprocidade na relação entre os diversos interesses pessoais envolvidos, e se manifesta a partir da confiança, de normas e de cadeias de relações sociais.
Em um mundo de fluxos globais de riqueza, poder e imagens é crescente a busca da fonte básica de significado social: da identidade - coletiva ou individual, atribuída ou construída.
A qualidade da relação entre os agentes da rede social é o que dá sentido ao desenvolvimento da sociedade onde estão inseridos.
[1] Robert Putnam aplicou o conceito na compreensão da participação e engajamento da sociedade e os seus efeitos nas instituições democráticas e na qualidade do governo em algumas regiões da Itália.

[2] Putnam, 2004. “Interview to OECD Observer about Bowling together.”

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Globalizar o paradigma do desenvolvimento sustentável

“Quando as corporações recebem licença para poluir e contaminar estão recebendo licença para matar” (Robert Bullar)

É claro que muito já foi conquistado desde a criação dos movimentos ecológicos e ambientalistas. A agricultura ecológica foi difundida como alternativa; as emissões de CFC – clorofluorcarboneto – foram minimamente limitadas; os alimentos transgênicos têm sido publicamente criticados e na Europa são pouco comercializados; programas de combate a condições de extrema pobreza foram construídos; contra a globalização orientada apenas por interesses econômicos foi desenvolvida uma resistência internacional. Mas, embora se possa afirmar que a opinião pública se manifesta mais interessada pelo meio ambiente e que a “Agenda 21” se tornou mundialmente famosa, muito do que há dez anos foi assumido como compromisso pelos governos ainda não foi concretizado.
O desenvolvimento sustentável é tratado como mera utopia e/ou simpático conceito para discursos; a crise social e ecológica tem-se aprofundado em esfera global com o super aquecimento do planeta, a destruição da biodiversidade, a desertificação, o desmatamento, a contaminação e a escassez de água potável, ínsitos ao crescimento do abismo que separa ricos e pobres no mundo. Muitos recursos biológicos são apropriados comercialmente e muitas espécies vêm sendo extintas ou exterminadas em função da sua utilização pela biotecnologia. Os programas de desenvolvimento situam-se num dos mais baixos patamares da história. Entretanto, o livre mercado e a organização financeira são colocados como prioridade acima de tudo, exatamente como tem recomendado a Organização Mundial do Comércio, edificada como poder mundial desde 1994. Os Estados Unidos, o país mais poluidor do mundo, têm-se negado a assinar o Protocolo de Kyoto que, entre outras resoluções, exige a limitação de emissões de dióxido de carbono em 7%. Eles sozinhos foram apresentados em 1990 como responsáveis por 36% da emissão de dióxido de carbono e em 1998 foi constatado que, ao invés de serem reduzidas, as emissões nos EUA aumentaram em 3,7%. Apesar da negativa diante dos acordos internacionais e do aumento da poluição, o governo norte-americano não sofreu nenhuma advertência por parte da “comunidade internacional”. Esse é o maior problema: como obrigar um país tão poderoso a seguir condições gerais se ele não respeita nenhuma recomendação e a Organização das Nações Unidas, sediada nos Estados Unidos, não toma nenhuma posição em relação a isso?
A pergunta é, evidentemente: como inserir sustentabilidade e economia ecológica na atual globalização? Organizações ambientais alemãs se esforçam em divulgar esta situação e esperam que em Joanesburgo se consiga, pelo menos, constituir uma Comissão Mundial para para a temática sustentabilidade e globalização e que a discussão ambiental possa ser tornada cada vez mais pública. O estilo de vida desperdiçador, possibilitado pela economia capitalista, precisa ser modificado para que pessoas não sejam exterminadas e para que nenhuma lei possa servir como permissão para destruir a vida.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

SER - do dificil para o simples - filosofia visivel

Interessante pensar sobre os possiveis paramentros mundialmente (ou sistematicamente) construidos em torno do impulso desenvolvimentista. No passo acelerado a que andamos (sociedade capital) uma forte densidade demografica mantem o velho argumento de que ainda se faz necessario deixar crescer o bolo para entao dividir. Modelo onde o aparentemente precavido longo prazo traz pro presente a angustiante (e porque nao sufocante) posicao de observadores, despreparados, recebedores de ordens, prestadores obedientes do que "os outros" demandam em sua mega estrutura de lider.

E entao me pergunto... porque nao a proatividade, a continuidade de um percurso em respeito a historia e a confianca de que situacoes vividas sao situacoes aprendidas e que hoje, nao mais uma rota seja necessario seguir, mas ja que maduro, perceber seu proprio destino, olhar pro propro umbigo e amar seus proprios lacos em suas nobres e confortaveis camas, no pulso de seu povo. Trata-se de garantir que o desenvolvimento de qualquer um em qualquer lugar seja apenas dependente de suas forcas - que nao haja sobrevivencia, mas afirmacao de que na escola da tradicao se aprendeu a ser feliz. E que esta felicidade nao vai embora nem se esconde. Ela esta ali, onde voce mais confia e ve.

Nacoes, pessoas ou qualquer que seja a linguagem de poder, divirta-se em fazer o bolo. A velha bruxa queimada em praca publica apenas ensinava isso. A resposta esta em cada dobra do vestido (a lembrar Benjamin), na constituicao mais simples de todo SER.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Breve rapidinha: Crédito de carbono

O princípio do crédito de carbono é o seguinte: alguns países (em geral os desenvolvidos, com processos de industrialização mais antigos) têm metas, fixadas pelo Protocolo de Kyoto, para reduzir suas emissões de carbono no meio ambiente e, assim, minimizar o efeito estufa. Desta forma, aqueles que reduziram a emissão de carbono mais do que o necessário “vendem” esse excedente aos que precisam diminuir suas emissões. “Com a oportunidade de aproximar a questão ambiental à financeira criou-se um mercado promissor”, diz Ricardo Valente, diretor da consultoria de gestão ambiental Key Associados, de São Paulo. O Brasil é responsável pela venda de 7% das mais de 4 milhões de toneladas de créditos de carbono no mundo e já é o terceiro maior vendedor, atrás da China (50%) e da Índia (23%).

segunda-feira, 31 de março de 2008

“O que ocorrer com a terra, recairá sobre os filhos da terra. Há uma ligação em tudo.”


Carta do Cacique americano ao Presidente dos Estados Unidos da América
Em 1854, o Governo dos Estados Unidos tentava convencer o chefe indígena Seatle a vender suas terras. Como resposta, o chefe enviou uma carta ao Presidente Franklin Pierce, que se tornou um documento institucional importante e que merece uma reflexão atenta pois é uma lição que deve ser cultivada por esta e pelas futuras gerações.Decorridos quase dois séculos da carta do cacique indígena Seatle ao Presidente do Estados Unidos, seus ensinamentos permanecem atuais e proféticos, para todos aqueles que sabem enxergar no fundo do conteúdo de sua mensagem.A carta do cacique Seatle é uma lição inesgotável de amor à natureza e à vida, que permanece na consciência de milhões de pessoas em todas as partes do mundo. É o hino de todos aqueles que amam a natureza e tudo o que nela vive. A cada leitura, renovamos os ensinamentos que ali estão. Serve para ler e reler e passar adiante para que todos a conheçam.
Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa idéia nos parece estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá-los?Cada pedaço desta terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra na floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência de meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças do homem vermelho.
Os mortos do homem branco esquecem sua terra de origem quando vão caminhar entre as estrelas. Nossos mortos jamais esquecem esta bela terra, pois ela é a mãe do homem vermelho. Somos parte da terra e ela faz parte de nós. As flores perfumadas são nossas irmãs; o cervo, o cavalo, a grande águia, são nossos irmãos. Os picos rochosos, os sulcos úmidos nas campinas, o calor do corpo do potro, e o homem - todos pertencem à mesma família.
Portanto, quando o Grande Chefe em Washington manda dizer que deseja comprar nossa terra, pede muito de nós.
O Grande Chefe diz que nos reservará um lugar onde possamos viver satisfeitos. Ele será nosso pai e nós seremos seus filhos. Portanto, nós vamos considerar sua oferta de comprar nossa terra. Mas isso não será fácil. Esta terra é sagrada para nós.
Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar-se de que ela é sagrada, e devem ensinar as suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz de meus ancestrais.
Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar a seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também. E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquer irmão.
Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção da terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra aquilo de que necessita. A terra não é sua irmã, mas sua inimiga, e quando ele a conquista, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa. A sepultura de seu pai e os direitos de seus filhos são esquecidos. Trata sua mãe, a terra, e seu irmão, o céu, como coisas que possam ser compradas, saqueadas, vendidas como carneiros ou enfeites coloridos. Seu apetite devorará a terra, deixando somente um deserto.
Eu não sei, nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez seja porque o homem vermelho é um selvagem e não compreenda.
Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos.
E o que resta da vida se um homem não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diurna ou perfumado pelos pinheiros.
O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro - o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar que respira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao mau cheiro. Mas se vendermos nossa terra ao homem branco, ele deve lembrar que o ar é precioso para nós, que o ar compartilha seu espírito com toda a vida que mantém. O vento que deu a nosso avô seu primeiro inspirar também recebe seu último suspiro. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem mantê-la intacta e sagrada, como um lugar onde até mesmo o homem branco possa ir saborear o vento açucarado pelas flores dos prados.
Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se decidirmos aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos.
Sou um selvagem e não compreendo qualquer outra forma de agir.
Vi um milhar de búfalos apodrecendo na planície, abandonados pelo homem branco que os alvejou de um trem ao passar. Eu sou um selvagem e não compreendo como é que o fumegante cavalo de ferro pode ser mais importante que o búfalo, que sacrificamos somente para permanecer vivos.
O que é o homem sem os animais? Se todos os animais se fossem o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, breve acontece com o homem. Há uma ligação em tudo.
Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com as vidas de nosso povo. Ensinem as suas crianças o que ensinamos as nossas que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra, acontecerá aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos.
Isto sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem pertence à terra. Isto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo.
O que ocorrer com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não tramou o tecido da vida; ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizer ao tecido, fará a si mesmo.
Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum. É possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos - e o homem branco poderá vir a descobrir um dia: nosso Deus é o mesmo Deus. Vocês podem pensar que O possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e Sua compaixão é igual para o homem vermelho e para o homem branco. A terra lhe é preciosa, e ferí-la é desprezar seu criador. Os brancos também passarão; talvez mais cedo que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos.
Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos da floresta densa impregnadas do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruída por fios que falam.
Onde está o arvoredo? Desapareceu.
Onde está a águia? Desapareceu.
É o final da vida e o início da sobrevivência.

II Seminário de Mudanças Climáticas - PUC-Rio

Na próxima semana, dias 2 e 3 de Abril (quarta e quinta), a PUC-Rio e o NIMA estarão realizando o II Seminário de Mudanças Climáticas no Auditório Padre Anchieta. As palestras levantarão a importante temática do aquecimento global e suas implicações na Política e na Economia, no âmbito Brasil e a cidade do Rio de Janeiro. Também suscitará as premissas da Agenda Pós-Quioto e o desafio da Universidade Sustentável.

Para conhecer a programação acesse:
http://www.nima.puc-rio.br/informe/noticias/10030801.html
As incrições são gratuitas e feitas no ingresso do evento.

Professores da PUC-Rio e especialistas participarão da apresentação dos palestras. “O ano passado marcou o auge das discussões sobre o clima. Agora, em 2008, será o ano das ações para revertermos essa situação que o ser humano criou”, explica Luiz Felipe Guanaes Rego, diretor do NIMA.
Também se faz importante que a ocasião inaugure a nova era da universidade, onde o encontro de práticas sustentaveis dentro do campus seja objeto de pesquisas academicas e experimentações dos proprios alunos, profissionais para o futuro.
Dedicado a esta iniciativa, no segundo dia de Seminário, sob coordenação do vice-reitor da PUC, Pe. Josafá Carlos de Siqueira, serão debatidos os temas referentes à "Universidade Sustentável", e serão apresentados os Grupos de Trabalho de Sustentabilidade.
Os grupos organizam suas pesquisas e atividades tendo em vista a eficácia ambiental do campus e procuram agregar outros cursos e disciplinas dos diversos departamentos de ensino no desenvolvimento de outras iniciativas.

Os Grupos de Trabalho apresentam a seguinte disposição (e se intercomunicam diretamente):
- Água e Energia - coordenado pelo Prof. Tácio Mauro Pereira de Campos - ENG - tacio@civ.puc-rio.br e José T. Araruna Jr. - ENG - araruna@puc-rio.br
- Materiais e Resíduos - coord. pela Prof. Maria Fernanda R. C. Lemos - ARQ - mariafernandalemos@puc-rio.br e Marcos Cohen – ADM - mcohen@iag.puc-rio
- Biodiversidade - coord. pelo prof. Luiz Felipe Guanaes Rego – NIMA – regoluiz@puc-rio.br
- Educação Ambiental - coord. pela prof. Léa Tiriba – EDU – leatiriba@domain.com.br

Os Grupos de Trabalhos promovem reuniões abertas todas as Quintas-feiras, às 13:30h no NIMA. Não haverá reunião na semana do Seminário.