quarta-feira, 30 de abril de 2008

domingo, 27 de abril de 2008

Indicadores Sociais de Desenvolvimento

Por Cristine de Carvalho
A crescente preocupação com a elaboração de indicadores sociais, considerados instrumentos de planificação governamental, surge num momento crítico da história contemporânea, em que o ceticismo e a desilusão a respeito do crescimento econômico, tal como apregoado e definido durante três décadas, se expandem rapidamente e permeiam largos círculos acadêmicos, políticos e administrativos.
Durante mais de um quarto de século, o crescimento econômico tinha sido apresentado como meta e valor supremo para as sociedades ocidentais e orientais, desenvolvidas e subdesenvolvidas. Passando a ser considerado o único caminho capaz de solucionar os graves problemas de habitação, saúde, alimentação, educação e emprego que afligem essas sociedades.

A avaliação dos resultados da Primeira Década de Desenvolvimento das Nações Unidas (1960-1970)[2], bem como da situação social em países que experimentaram uma expansão acelerada, nos últimos anos, parece indicar uma correlação, antes insuspeita entre crescimento econômico e deterioração da situação social, sendo freqüente o agravamento das desigualdades e das contradições internas nas sociedades em vias de desenvolvimento. A abordagem tradicional do crescimento econômico enfatizava apenas a expansão da renda. Mas o índice de desenvolvimento humano (IDH), o desempenho econômico dos países e o PIB per capita não podem ser considerados como únicos indicadores de seu desenvolvimento.

Os estudos de Ravallion (2004) com dezenas de países ao longo do século XX mostram que os indicadores econômicos, de crescimento do capital físico, não apresentam uma tendência segura de crescimento do capital social, ou seja, de melhorias na qualidade de vida da população e de redução das desigualdades provocadas pelo próprio crescimento econômico.
No Brasil, a velha idéia de que “é preciso deixar crescer o bolo para então dividi-lo”, proeminente nos anos 70, durante o período chamado “Milagre Brasileiro”, mostrou que esta tendência alavancou a entrada de capital financeiro, mas não se confortava a realidade social de um país cujo histórico é de dominação e autoritarismo de elites privilegiadas. O resultado foi uma enorme e ainda recente péssima distribuição de renda. O bolo cresceu mas foi dividido de forma bastante desigual.

Resumindo, enquanto as capacidades produtivas elevaram a produção mundial a mais de 25 quatrilhões de dólares, as polarizações sociais cresceram acentuadamente. Segundo informes da Organização das Nações Unidas (1998), 358 pessoas são possuidoras de uma riqueza acumulada superior à de 45% da população mundial (Tranning, 2006).

Ao verificar-se que o crescimento acelerado não leva necessariamente à maior equidade e justiça social, tornou-se primordial o exame da viabilidade de caminhos e instrumentos alternativos para a consecução do objetivo último – uma sociedade justa, equilibrada e democrática.
Nos últimos quinze anos, a nova abordagem do desenvolvimento a partir do desenvolvimento Humano emergiu, se difundiu e consolidou, não só nos meios acadêmicos e entre os formuladores de políticas públicas, mas também em segmentos como a mídia, as empresas e a sociedade civil organizada.
Essa abordagem, inspirada por Amartya Sen, economista que ganhou o Prêmio Nobel de Economia de 1998, vê como objetivo último do desenvolvimento o aumento das capacidades e habilidades das pessoas, a ampliação das suas possibilidades de ser e fazer aquilo que valorizam, e de expandir as liberdades humanas. A abordagem do desenvolvimento humano ressalta a importância da ampliação das escolhas humanas nos campos econômico, social, político e cultural.
Neste trabalho, pretendo apresentar a história da construção dos indicadores sociais como medidas de desenvolvimento de uma sociedade; uma importante ferramenta de informação sobre as suas características construídas ao longo do tempo.

A pobreza, como sabemos, não se restringe a um PIB baixo. Mas tem sua expressão na mortalidade infantil, na baixa expectativa de vida, no alheamento da cultura, nas perseguições de raça e gênero, no trato despótico das diferenças, no ressurgimento de doenças erradicáveis.

Em meio


Se entrelaçando e cheio de espinhos. Uma planta não é só uma. Tudo é um processo.
Cactus @ Jardim Botanico RJ
Pic by Cristine

Gestão do Intangível e a valorização do capital social na economia

Por Cristine de Carvalho para a Agencia Comunicarte de Responsabilidade Social

Na atual Era do Conhecimento, as sociedades deixaram a Era do Tangível para entrar na Era do Intangível. Alguns fatores sinalizam essa transição, como a globalização, a valorização das questões locais e culturais, o aumento exponencial das pressões da sociedade organizada (com o crescimento das ONGs, por exemplo), a mudança de foco de empresas tradicionais, a relevância econômica e cultural das multinacionais, a migração da hegemonia do capital de países para empresas, o crescimento do número de fusões e aquisições, as fraudes contábeis, o crescimento da Internet, o aumento generalizado da insegurança individual, profissional e social, o fortalecimento do profissional do tipo VOCÊ SA., e assim por diante (DOM, 2006).
Desta forma, tendo a sociedade sido remodelada a partir de novas técnicas de informação, é necessário buscar também técnicas capazes de apreender os impactos dos conteúdos conhecidos e das mudanças estruturais percebidas, tanto no cotidiano das operadoras de serviços, empresas e governos, como dos indivíduos em rede. Uma das formas avaliar as mudanças do capital humano já vem sendo promovidas, os Indicadores sociais cumprem esse papel.
No entanto, conceitos como “confiança”, “comunidade” e “redes” – fatores fundamentais na composição do capital social, são abordados por muitos estudiosos do tema como de difícil operacionalização (quantificados e qualificados), haja visto que não basta identificar o número de componentes das redes (ligações e nós), mas sim apreender a sua importância para a comunidade. É, portanto, um desafio para os pesquisadores e, principalmente, para aqueles interessados em usar o capital social para promover o desenvolvimento, é conseguir explicar que existem retornos mensuráveis a partir do crescimento do capital social.
Uma das principais linhas a que se tem chegado ao se avaliar o impacto do capital social na economia de uma empresa, por exemplo, tem sido avaliar o valor da marca desta empresa, frente à sua aceitação pública. Hoje em dia, o crescimento do Marketing e da Publicidade, aliada ao Design de Logomarcas e formas de conceitualização produto-público-alvo são fortes estratégias de aliança entre os “recursos e significados” construídos em sociedade e “a imagem e a reputação” de uma instituição, e até mesmo de uma governança estatal.
O capital social é uma forma de capital, e, embora sua definição seja alvo de discussão na ciência econômica, algumas características parecem se destacar em alguns estudos, como a não-ocorrência de retornos decrescentes; que o capital social se aprecia com o uso (não se deprecia, portanto); é produzido coletivamente a partir das relações sociais existentes nas comunidades, mas seus benefícios até então não podiam ser antecipadamente mensurados. Embora possua características de bem público, observa-se nele um aspecto único, qual seja, a sua produção é, necessariamente, coletiva.

A Rede Invisível: tecnologias de informação e as formas de inclusão

Por Cristine de Carvalho para a Agencia Comunicarte de Responsabilidade Social

“No final do século XX, vários acontecimentos de importância histórica transformaram o cenário social da vida humana.”. Assim inicia o “Prólogo: a Rede e o Ser”, do livro “Sociedade em Rede, de Manuel Castells. Segundo o autor, uma revolução tecnológica concentrada nas tecnologias da informação começou a remodelar a base material da sociedade em ritmo acelerado. Economias do mundo todo passaram a manter interdependência global, apresentando uma nova forma de relação entre a economia, o Estado e a sociedade em um sistema de geometria variável (Castells, 2005).
Desta forma, o caráter fluido da informação, a base da geração do conhecimento e da ação social, teve sua relevância econômica e política investigada em várias áreas do conhecimento – desde a ciência da informação, a sociologia, a economia, até a ciência política.
A rede na economia remete à idéia de “comportamento” corporativo entre indivíduos, empresas e atores políticos a fim de receber “vantagens em rede”. Estes benefícios pertencem à sociedade e são realizadas por parceiros independentes que agem de forma autônoma.
No mercado empresarial, o formato em rede caracteriza a relação entre as várias fases da cadeia produtiva (Marteleto, 2004). Conectados eletronicamente, estes empreendedores se unem em redes fluidas e temporárias para produzir e vender mercadorias e serviços. Com a conclusão do seu trabalho, a rede se dissolve e os seus membros ficam novamente independentes, circulando na economia à cata de novas encomendas.
Do ponto de vista político, Börzel (1998) elucida a conclusão de estudiosos do tema, onde rede é um “conjunto de relações relativamente estáveis, de natureza não-hierárquica e interdependente, que vinculam uma variedade de atores que compartilham interesses comuns com relação a uma política e que trocam recursos para satisfazer esses interesses compartilhados, reconhecendo que a cooperação é a melhor maneira de atingir objetivos comuns.”.
Na concepção científico-tecnológica, a última década trouxe para a cadeia produtiva o conceito de rede. Com a larga difusão dos computadores pessoais no mercado e o impulso à utilização da telemática (Internet) como veículo de informação, grandes mudanças passaram a caracterizar a comunicação entre os indivíduos e os meios de se trabalhar. Também podendo ser chamada de rede invisível pela desmaterialização da produção, muitos processos começavam e terminavam via computadores e internet.
Para aqueles que puderam ser incluídos na nova rede por motivos econômicos e pessoais (de renda e de adaptação, por exemplo), os benefícios são a velocidade e a facilidade na interação entre indivíduos distantes tanto fisicamente quanto culturalmente, o que leva a maiores oportunidades de conhecimento – ainda que de maneira superficiais. Além destes, o uso da informática trouxe dispositivos ao crescimento de iniciativas individuais e de micro empresas – onde por exemplo todo um mercado virtual já existe.
No entanto, estes benefícios não são acessíveis a todos aqueles que gostariam de tê-lo. A maioria dos produtos de consumo condensa conhecimento científico e tecnológico e o acesso a eles é condição de integração na vida civilizada, como afirma Bernardo Sorj (2003). Tanto em termos de qualidade de vida como em chances de inserção na sociedade em geral e no mercado de trabalho em particular.
Como afirmou o Dr. Jorge Werthein (2003), ainda quando era diretor da UNESCO no Brasil, e atual diretor-executivo da RITLA[1], “o crescimento das redes e aplicações das tecnologias de informação e comunicação não garante, por si mesmo, os fundamentos das sociedades o conhecimento. Para construí-la é necessária a escolha política sobre quais são as metas desejáveis, principalmente para que se possa ampliar o acesso eqüitativo à educação e ao conhecimento. Essa é uma tarefa de todos e se insere no processo coletivo de superação da exclusão digital, uma das dimensões da desigualdade social”[2].

[1] Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana
[2] Retirado do Prefácio de “Brasil@povo.com”.

A rede de confiança

Por Cristine de Carvalho

Como mostra Saraiva (2002), na prática, a rede é um conceito largamente operacional que permite construir novas realidades e modificar sistemas já existentes. No entanto, nas várias esferas da produção, os principais desafios da inter-relação na rede de trabalho são: a promoção da confiança interpessoal, do crédito e da ética; os entraves da coordenação dada a diversidade de pessoas/organizações fora das fronteiras tradicionais; a negociação com a ausência de hierarquia, pelos acordos “ganha-ganha”; a necessidade de capacitação digital, para a conectividade e como fonte de informação; a construção de relações estáveis e de produtividade, mesmo com tamanha diversidade; e a necessidade de controle e do clima amistoso de liberdade.
Francis Fukuyama discute em Confiança, que as relações sociais influenciam o desempenho econômico, tanto de uma organização como de uma nação. Indicadores de bem-estar e de capacidade de competir, por exemplo, mostram as condições e a abrangência do nível de confiança entre os agentes da sociedade civil – empresas, sindicatos, igrejas, clubes, associações comunitárias, ONG´s e mídia, entre outros.
Para Fukuyama (2002) a economia está permeada pela cultura e depende dos valores morais e da confiança social. Assim, este autor e Putnam enfatizam o papel da confiança para a prosperidade de uma nação, e, para ambos, confiança é a base para o capital social. “Confiança é a expectativa de reciprocidade”, do corpus mínimo, de coesão (Carneiro, 1996), “que pessoas de uma comunidade, baseadas em normas partilhadas, têm acerca do comportamento dos outros. Quem sente e sabe que pode confiar, recebe mais colaboração e aproveita melhor as oportunidades que aparecem” (D´Araujo, 2003). Ou ainda, segundo Marteleto (2004), o nível de confiança (e expectativa) entre os indivíduos da rede está relacionado com o capital social cognitivo e influencia a ação coletiva do grupo.
Concluindo, Fukuyama apresenta o primeiro grande ensaio de integração das visões econômicas e socioculturais a partir da realidade dos anos 90. O autor cria uma escala de sociabilidade para avaliar o chamado “capital social”, o potencial que os indivíduos de uma determinada cultura têm para trabalhar juntas visando objetivos comuns em grupos e organizações. Esta sociabilidade, por sua vez, decorre do grau em que as comunidades compartilham normas e valores, mostrando-se dispostas a subordinar o individual e o coletivo. Desses valores compartilhados nasce a confiança, tema central de seu livro.
O que se constata na prática, como por exemplo, nos estudos da RedeSist[1] sobre os arranjos locais, é a necessidade de levar em conta as características culturais, econômicas e políticas em que todos os atores sociais aproveitam oportunidades surgidas da combinação da posição deles em redes sociais e da estrutura dessas redes, podendo – ou não – resultar no que Schmitz chama de “eficiência coletiva” (Maciel, 2002).
[1] Rede de Pesquisa em Sistemas Produtivos e Inovativos Locais: www.ie.ufrj.br/redesist

Capital social e desenvolvimento

Por Cristine Carvalho

Apesar de ser um conceito complexo, podemos apreender o aspecto essencial do desenvolvimento, como apontou Amartya Sem, economista indiano, colaborador na construção do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e Prêmio Nobel de economia em 1998: “o desenvolvimento seria a ampliação da capacidade de realizar atividades livremente escolhidas e valorizadas” (KAAS, 2005). Porém, tal ampliação não se dá automaticamente com o crescimento econômico, sem primeiro rever-se “como” se está crescendo.
Levando-se em consideração que o capital social assume diversas formas em razão do contexto e das características dos indivíduos que o constituem, ele tem diversas identidades. Tendo seu próprio espaço e tempo de ação, os recursos captados e transformados em capital social têm seu ritmo de desenvolvimento particular. Diferentes meios, diferentes pessoas e diferentes realidades quando observadas de outra sociedade.
Em tempos atuais, é fundamental compreender que cada grupo ou comunidade tem seu ritmo e é incabível julgar certezas de bem-estar social quando estes recursos e valores devem ser relativizados. Não há valores numéricos que indiquem que uma dada sociedade é bem-sucedida. As variáveis econômicas não bastam para produzir desenvolvimento socialmente equilibrado e ambientalmente sustentável.
Assim, os fundamentos e as práticas freqüentemente contraditórias do desenvolvimento econômico vêm sendo veementemente criticadas e os temas sociais e institucionais vem ganhando boa aceitação no mainstream da economia, tornando-se então uma coisa só e reformulando o conceito de desenvolvimento.
OLSON (1982 apud MONASTERIO, 2000) faz uma interessante analogia em relação aos estudos econômicos que procuram contabilizar o crescimento: “Eles não traçam as fontes do crescimento em suas causas fundamentais; traçam a água do rio aos córregos e lagos de onde vem, mas eles não explicam a chuva”.
Ineficiente ao identificar valores relativos ao conteúdo das sociedades, seus recursos e seus trejeitos estão as teorias do evolucionismo social. Gilbert Rist é um dos principais críticos aos projetos de desenvolvimento sob esta “crença ocidental”. Neste modelo comparativo os países sub-desenvolvidos deveriam atingir o patamar dos países desenvolvidos, e existem etapas a cumprir de forma contínua e cumulativa. Rist rejeita a possibilidade de que, em matéria de desenvolvimento, seria possível antecipar de modo determinista os passos futuros a serem seguidos pelas economias do Sul e, além do mais, definir as ferramentas para atingir determinados objetivos de maneira universal e independente de contextos e lógicas locais (Rist, 1999 apud Milani, 2005).
Como o modelo evolucionista que distingue as raças humanas, dentro dos estudos antropológicos do século XVIII, a construção de uma verdade absoluta em torno da história do homem, feita por determinados grupos de homens que se auto-determinam “evoluídos”, ainda estão arraigadas na memória do homem ocidental e são apresentadas na forma de extremismos, exclusão e violência.
Os ditos parâmetros de crescimento e inovação podem abranger uma minoria ou assistir milhares de pessoas no mundo todo – com técnicas, marcas e até mesmo estilos de vida. São recursos promovidos e que trazem, quando adequadas às realidades locais ou pessoais, determinado capital social.
Em diversos sentidos, o capital social se aproxima mais do capital humano do que do capital físico. Ele também é intangível, mas sua quantificação é mais complexa do que o capital humano, já que é observada nas relações entre os indivíduos (COLEMAN, 1988; REQUIER-DESJARDINS, 2000 apud MONASTERIO, 2000).
Outros autores e intelectuais como Wolfgang Sachs, Serge Latouche, Ivan Illich e Arundathy Roy afirmaram ser fundamental analisar e requalificar criticamente os processos de transformação social vistos sob a etiqueta do desenvolvimento. Estes autores, por mais que não tivessem apresentado um novo conceito e prática do desenvolvimento a partir do capital social que substituísse o anterior, denunciaram as práticas incoerentes do desenvolvimento econômico e seus resultados nocivos, sobretudo nos contextos onde as desigualdades e as carências de infra e superestrutura são muito evidentes.
Outro importante impacto da corrida pelo desenvolvimento econômico que atropela valores sociais acontece nas relações entre os indivíduos em sociedade. Estando as associações de interesses comuns diminuindo sua prática, é visto que, com o distanciamento entre seus componentes, a competição vem tomando o lugar da confiança. Isto ocorre principalmente nas sociedades de ideal democrático e com este histórico, como o caso dos EUA, onde foi produzido “Democracia na América” de Tocqueville e “Bowling Alone” de Putnam.
Assim como na pesquisa de Putnam, diversos estudos estão sendo produzidos a partir da observação deste crescente individualismo nas sociedades. Como Putnam em “Bowling alone”, o sociólogo polonês Zygmunt Bawman observa, em Modernidade Líquida, com seu olhar “romântico”, o esfacelamento dos laços de amizade e cooperação até então fundamentais para o desenvolvimento social.
Acrescenta ainda que, nas sociedades por ele denominadas pós-modernas inseridas grandes cidades-centros comerciais, a liquidez e a efemeridade na absorção das informações e na construção das imagens são características marcantes. Estando dispostas a um grande e variado número de recursos, as possibilidades e oportunidades se alargam tornando a experiência cotidiana uma entrada e saída de informações e escolhas. Em alta velocidade e pretendendo entrar em contato com o máximo de conhecimento possível, os indivíduos se isolam e criam novos mecanismos de sociabilizar-se.
A comunicação, portanto, vem adquirindo novos meios de conexão e transmissão das suas mensagens, seus conteúdos também se adequam aos novos interesses de seus receptores. Na comunicação e na viabilização de conhecimento é necessário atentar para as constantes tendências - do capital social.
Em relação às estimativas de queda dos números de associações, feita por Putnam, verifico que as características de muitas associações mudaram – talvez tenham deixado de ser de bairro, de esportes de grupo presencial ou de jantares com amigos. As redes sociais caracterizam-se por serem traçadas também pela internet, por celulares, em restaurantes e em ambientes públicos. Talvez tenha deixado de ser tão privativa a famílias e grupos específicos e tenha se colocado em disposição mais alargada, com maior incidência de novidades e referências. Afinal de contas o que se ganhou com a confiança e a cooperação pode também ter sido a tolerância com a diversidade.
As características individualistas também agregam valores e são potencialmente capazes de gerar desenvolvimento social. Mudança social é mudança nos componentes e nas relações entre os componentes do conjunto que constitui a sociedade. Usando metaforicamente a linguagem econômica, poderíamos dizer que haverá mudanças sociais quando houver alterações do capital humano e do capital social.